Sexta-feira, dia 03 de julho de 2015 eu fiz a seguinte postagem:

Mas há algo de podre no reino dessa postagem.

– Mas porque Geraldo?

Simples, nem tudo nessa postagem é verdade, mas também nem tudo é mentira. Ela nasceu de uma brincadeira que temos aqui na agência onde um dos caras consegue falar qualquer coisa e fazer com que acreditemos.

Me perguntei o que aconteceria se eu fizesse o mesmo no Facebook. Será que o FOMO faria com que a maioria das pessoas curtissem a pseudo-notícia sem nem pestanejar? Elas assumiriam isso como verdade por quais fatores? Por confiar em mim ou pela notícia parecer óbvia suficiente para se passar por verdade?

O que aconteceu foi curioso.

Gerou um número acima do normal de comentários do que costuma surgir em minhas postagens. Pessoas demonstrando um certo desejo de parar de ver as publicidades tão chatas, outras que não admitem pagar nada já que sua privacidade é tão invadida pela Google e algumas tiveram dúvidas se o Youtube seria capaz de produzir séries tão boas quanto a Netflix.

Mas o que é verdade e o que não énisso tudo e porque diabos isso importa?

Sim, o Youtube tem seriamente pensado em lançar uma assinatura, a Bloomberg confirmou isso e tudo indica que custará US$10 mensais e pode ser lançado já esse ano, mas isso não está confirmado.

Não, o nome do serviço não será Youtube+ e provavelmente essa assinatura nem terá um nome.

Sobre as séries originais, é uma meia verdade.

O Youtube não vai produzir nenhuma série, mas fez uma parceria com AwesomenessTV da DreamWorks para que eles estreiem seus filmes mundialmente no Youtube e fechou outra parceria com alguns canais fodas para apoiá-los em produções originais com a surpervisão do CEO da AwesomenessTV.

Quem curtiu, acreditou ou até compartilhou, não fiquem chateados comigo, foi um experimento inofensivo.

Esse “Fear OF Missing Out” que citei antes é muito comum hoje em dia em todo ponto de contato, seja ele digital ou não. Mas o que gera mais dúvida em mim é até que ponto estamos comprando/vendendo gato por lebre em um ambiente tão cheio de referências e fontes?

Marcas parecem ser as que mais sofrem disso hoje em dia, embarcam em hypes assumindo que as pessoas só surfam o que estiver no hype, agarradas nessa verdade que o público morre de medo de ficar de fora.

Coca-cola. Morrendo de rir.
Coca-cola. Morrendo de rir.
Axe e… direção?
Axe e… direção?
Life Cinemas. App é o que há.
Life Cinemas. App é o que há.
Campanha do Itaú. Tudo é digital né?
Pizza Emoji para Dominos. Ganhou Cannes.

Com essa comunicação FOMO, vemos cada vez mais discursos genéricos apostando na criatividade para diferenciá-los desse mar repleto de commodity.

É um medo equivocado.

A marca não precisa sempre ficar por dentro para ser relevante. Ela não precisa se enturmar.

Quando vamos perceber que na escola da comunicação atual nenhuma marca precisa mais parecer descolada?

Não se preocupem, ninguém vai praticar bullying com sua marca.

Mas a culpa não é da marca, a culpa é de nós publicitários. Jogamos na marca toda a nossa angústia, nosso receio de não pertencer mais a um grupo reconhecido na nossa casta:

Os Criativos.

Esse rótulo não faz mais sentido hoje, e pior, não é mais garantia que ele lhe diferencie em um mercado onde o que importa é o propósito de algo.

Não precisamos mais esperar junho para ver o que foi premiado no Palais para começar a ter ideias criativas. Cannes já deu o recado em alto e bom tom que quem segue o flow está por fora. Quem segue tendência já está atrasado.

Precisamos é adotar o JOMO (Joy of Missing Out), olhar para o que torna uma marca única, perceber na essência dela um propósito e se abraçar feliz. Sabendo que em tempos de crise é mais fácil ser percebida sozinha do quem em bando.

Não basta que paremos de assumir verdades, temos que parar de confiar e até seguir essas verdades. Na vida, nos negócios e na comunicação.