Quem me conhece sabe o quanto eu sou mulher de malandro com a publicidade. É uma profissão que bate pra caralho, mas fazer o que? Eu gosto.

Gosto da dinâmica, das pessoas, dos embates, dos estresses, das alegrias que se transformam em frustração e do que parece frustrante que se transforma em alegria.

Mas de longe, o que eu mais gosto é ver alguém que está começando com vontade de fazer melhor e gostando disso. Um tipo cada vez mais raro nesse mercado.

Um desses tipos é o Arijunior Guilherme, vulgo Ari.

Dá para ver nessa foto o quanto esse rapaz ainda precisa de lições. rs

Ele é assistente de arte na TagZag, um lugar que eu desejo para todo padawan. Lá ele vai sentir a dinâmica do mercado com o cinismo necessário a todo bom criativo.

Ari, um belo dia estava no supermercado comigo e comentou sobre sua admiração ao famoso Olivetto. Nada contra o corintiano declarado, mas não saiu da minha cabeça o quanto jovens publicitários cometem um equívoco quando dão ao passado da publicidade brasileira uma atenção desmedida.

– Geraldo, quer dizer que você é contra admirar os trabalhos da Almap, W, F/Nazca, Africa?- Não, de jeito nenhum, essas serão sempre as agências que moldaram minha paixão pela profissão.

Vamos começar, Arijunior?

A primeira referência é uma campanha para a Haus of Axe chamada Romeo Reboot.

“Este projeto indica como imaginamos que as marcas devam trabalhar em um futuro próximo, aonde cada pessoa terá um conteúdo de acordo com os seus interesses”

— Nathalie Honda, Gerente da AXE

Chamaram 4 artistas do mundo do cinema, arte e música para criar uma releitura do personagem Romeo traduzindo isso para a perspectiva do homem brasileiro.

Você pode me colocar na parede e apontar que isso não tem nada demais, afinal já estamos cansados de ver tanta websérie por aí. Mas não é o formato que me faz apontar essa campanha como referência. É a linguagem.

A marca não é protagonista. Isso já merece palmas e como se isso já não bastasse, eles resolveram criar 4 mensagens completamente diferentes. Olha que corajoso.

Um dos principais hobbies de agências atualmente é a perseguição a tal da pertinência na comunicação de marca. Inaceitável criar 4 argumentos que em certo ponto até se contradizem. De jeito nenhum seria possível aprovar tal audácia em um ambiente tão orientado à comissões.

– Mas é muito fácil fazer isso no digital.- Você ainda acha que existe ambiente offline, meu caro? Tudo é digital, ou você acha que o conceito de segunda, terceira, quarta tela não saíram da teoria?

A pertinência que é tão gritada nas salas de criação, deve dar lugar a incoerência tão presente no jovem que tornou isso uma bandeira. O criativo precisa assimilar isso o mais rápido o possível. Hoje temos meninas nas favelas que mal aprenderam a falar, mas possuem um crítico olhar para o high fashion. Encontramos aos montes no funk carioca a capacidade de inovar musicalmente que o rock brasileiro deixou fugir por entre os dedos.

Vivemos uma era de culhões à mostra, por isso a etiqueta da publicidade tradicional passou a se acostumar com a mesa vazia.

O que você acha Ari? Concorda ou acha tudo isso que falei uma grande bobagem?